sexta-feira, 31 de agosto de 2012
? A Bíblia usa
uma variedade de termos para expressar o mal de ordem moral, os quais nos
explicam algo de sua natureza.
Um estudo desses termos, nos
originais hebraico e grego, proporcionará a definição bíblica do pecado.
1. O ensino do Antigo Testamento.
O pecado considerado — As
diferentes palavras hebraicas descrevem o pecado operando nas seguintes
esferas: (*)
(a) Na esfera moral. As
palavras usadas para expressar o pecado nesta esfera são as seguintes:
1) A palavra mais comumente
usada para o pecado significa "errar o alvo". Reúne as seguintes
idéias: (1) Errar o alvo, como um arqueiro que atira mas erra, do mesmo
modo, o pecador erra o alvo final da vida. (2) Errar o caminho, como um
viajante que sai do caminho certo. (3) Ser achado em falta ao ser pesado
na balança de Deus. Em Gên. 4:7, onde a palavra é mencionada pela primeira
vez, o pecado é personificado como uma besta feroz pronta para lançar-se
sobre quem lhe der ocasião.
2) Outra palavra significa
literalmente "tortuosidade", e é muitas vezes traduzida por
"perversidade". É, pois, o contrário de retidão, que significa
literalmente, o que é reto ou conforme um ideal reto.
3) Outra expressão comum que
se traduz por "mal", exprime o pensamento de violência ou
infração, e descreve o homem que infringe ou viola a lei de Deus.
(b) Na esfera da conduta
fraternal. A palavra usada para determinar o pecado nesta esfera,
significa violência ou conduta injuriosa. (Gên. 6:11; Ezeq. 7:23; Prov.
16:29.) Ao excluir a restrição da lei, o homem maltrata e oprime seus
semelhantes.
(c) Na esfera da santidade.
As palavras usadas para descrever o pecado nesta esfera implicam que o
ofensor usufruiu da relação com Deus. Toda a nação israelita foi
constituída em "um reino de sacerdotes", cada membro considerado
como estando em contato com Deus e seu santo tabernáculo. Portanto, cada
israelita era santo, isto é, separado para Deus, e toda a atividade e
esfera de sua vida estavam reguladas pela Lei da Santidade. As coisas
fora dessa lei eram "profanas" (o contrário de santas), e o
que participava delas se tornava "imundo" ou contaminado. (Lev.
11:24, 27, 31, 33, 39.) Se persistisse na profanação, era
considerada uma pessoa irreligiosa ou profana. (Lev. 21:14; Heb. 12:16.)
Se acaso se rebelasse e deliberadamente repudiasse a jurisdição
da lei da santidade, era considerado "transgressor". (Sal.
37:38; 51:13; Isa. 53:12.) Se prosseguia neste último caminho, era julgado como
criminoso, e tais eram os publicanos, na opinião dos contemporâneos do nosso Senhor
Jesus.
(d) Na esfera da verdade. As
palavras que descrevem o pecado nesta esfera dão ênfase ao inútil e
fraudulento elemento do pecado. Os pecadores falam e tratam falsamente
(Sal. 58:3; Isa. 28:15), representam falsamente e dão falso testemunho (Êxo.
20:16; Sal. 119:128; Prov. 19:5, 9). Tal atividade é "vaidade" (Sal. 12:2;
24:4; 41:6), isto é, vazia e sem valor. O primeiro pecador foi um mentiroso
(João 8:44); o primeiro pecado começou com uma mentira (Gên. 3:4); e todo
pecado contém o elemento do engano (Heb. 3:13).
(e) Na esfera da sabedoria.
Os homens se portam impiamente porque não pensam ou não querem pensar
corretamente; não dirigem suas vidas de acordo com a vontade de Deus, seja
por descuido ou por deliberada ignorância.
1) Muitas exortações são
dirigidas aos "simples" (Prov. 1:4, 22; 8:5). Essa palavra
descreve o homem natural, que não se desenvolveu, quer na direção do bem,
quer do mal; sem princípios fixos, mas com uma inclinação natural para o
mal, a qual pode ser usada a fim de seduzi-lo. Falta-lhe firmeza e
fundamento moral; ele ouve mas esquece; portanto, é facilmente conduzido ao pecado.
(Vide Mat. 7:26.)
2) Muitas vezes lemos acerca
desses "faltos de entendimento" (Prov. 7:7; 9:4), isto é, aqueles que
por falta de entendimento, mais do que por propensão pecaminosa, são vitimas do
pecado. Faltos de sabedoria, são conduzidos a expressar precipitados
juízos acerca da providência divina e das coisas além da sua compreensão.
Desse modo precipitam-se na impiedade. Tanto essa classe, como os
"simples", são indesculpáveis porque as Escrituras apresentam
o Senhor oferecendo gratuitamente — sim, rogando-lhes que aceitem
(Prov. 8:1-10) — aquilo que os fará sábios para a salvação.
3) A palavra freqüentemente
traduzida "insensato" (Prov. 15:20), descreve uma pessoa capaz de
fazer o bem, contudo está presa às coisas da carne e facilmente é conduzida ao
pecado pelas suas inclinações carnais. Não se disciplina a si mesma
nem guia as suas tendências de acordo com as leis divinas.
4) O "escarnecedor"
(Sal. 1:1; Prov. 14:6) é o homem ímpio que justifica sua impiedade com
argumentos racionais contra a existência ou realidade de Deus, e contra as
coisas espirituais em geral. Assim, "escarnecedor" é a palavra
do Antigo Testamento equivalente à nossa moderna palavra
"infiel", e a expressão "roda dos escarnecedores"
provavelmente se refere à sociedade local dos infiéis.
2. O ensino do Novo Testamento.
O Novo Testamento descreve o
pecado como:
(a) Errar o alvo, que
expressa a mesma idéia que a conhecida palavra do Antigo Testamento.
(b) Dívida. (Mat. 6:12.) O
homem deve (a palavra "deve" vem de dívida) a Deus a guarda dos
seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz
de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão
da dívida.
(c) Desordem. "O pecado
é iniqüidade" (literalmente "desordem", 1 João 3:4). O
pecador é um rebelde e um idólatra porque deliberadamente quebra um
mandamento, ao escolher sua própria vontade em vez de escolher a vontade de Deus;
pior ainda, está se convertendo em lei para si mesmo e, dessa
maneira, fazendo do eu uma divindade. O pecado começou no coração
daquele exaltado anjo que disse: "Eu farei", em oposição à
vontade de Deus. (Isa. 14:13, 14). O anticristo é proeminentemente "o
sem-lei" (tradução literal de "iníquo"), porque se exalta a si
mesmo sobre tudo que é adorado ou que é chamado Deus. (2 Tess. 2:4-9.) O
pecado é essencialmente obstinação e obstinação é essencialmente pecado. O
pecado destronaria a Deus; o pecado assassinaria Deus. Na Cruz do Filho de
Deus, poderiam ter sido escritas estas palavras: "O pecado fez
isto!"
(d) Desobediência,
literalmente, "ouvir mal"; ouvir com falta de atenção. (Heb.
2:2.) "Vede pois como ouvis" (Luc. 8:18.)
(e) Transgressão,
literalmente, "ir além do limite" (Rom. 4:15). Os mandamentos de Deus
são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território
perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma.
(f) Queda, ou falta, ou cair
para um lado (Efés. 1:7) no grego, donde a conhecida expressão, cair no
pecado. Pecar é cair de um padrão de conduta.
(g) Derrota é o significado
literal da palavra "queda" em Rom. 11:12. Ao rejeitar a Cristo, a
nação judaica sofreu uma derrota e perdeu o propósito de Deus.
(h) Impiedade, de uma palavra
que significa "sem adoração, ou reverência". (Rom. 1:18; 2 Tim.
2:16.) O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a Deus e às coisas
sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e reverência.
Ele está sem Deus porque não quer saber de Deus.
(i) O erro (Heb. 9:7)
Descreve aqueles pecados cometidos como fruto da ignorância, e dessa maneira se
diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, apesar da luz
esclarecedora. O homem que desafiadoramente decide fazer o mal, incorre em
maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em falta, a que
foi levado por sua debilidade.
#maissobrepecado
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