PROFETA
SUMÁRIO:
Objetivo................................................4
Antigo testamento.............................4
Introdução...........................................4
Definições:...........................................4
Profeta e profecias ..........................4
O profeta no AT ................................4
Moises e o ministério profético ....5
Conclusão ...........................................5
Novo Testamento..............................6
Introdução..........................................6
Revisão bibiografica.........................7
Definições.................................7
As profecias do NT.................8
Termo profeta.........................9
O dom de profecia...............................................9
Funções...................................10
Diversos meios......................10
Impressões..................... 11
Sonhos..............................11
Visões................................11
Êxrase...............................12
Arrebatamento
de Espirito...........12
Visitação de
anjos.....................12
A voz audível de
Deus......................13
Orientações praticas
Orientações praticas
do NT......................13
Todos podem e devem ter a oportunidade.......13
Os profetas devem
Todos podem e devem ter a oportunidade.......13
Os profetas devem
dar oportunidade.....13
Homens e Mulheres
Homens e Mulheres
podem profetiza .......13
Os profetas não são
Os profetas não são
infalíveis..................14
O dom de profecia
O dom de profecia
está sujeito ao.........15
O dom de profecia
O dom de profecia
varia..........................15
O dom de profecia
O dom de profecia
não é um instrumento para
adivinhações e orientações
adivinhações e orientações
pessoais...................16
Possíveis perigos na
Possíveis perigos na
utilização do dom de
profecia...................16
Considerações
Considerações
finais........................17
Referencias
Referencias
bibliográfic.............18
PROFETA
OBJETIVO: Explicitar o caráter do ministério profético.
No Antigo Testamento.
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos, na Escola Bíblica Dominical, o ministério profético na Bíblia. As lições a serem estudadas visam orientar a respeito da natureza profética da fé judaico-cristã. Diferentemente de profissões de fé, que se baseia na experiência (misticismo) ou na razão (deísmo), o judaísmo e o cristianismo se fundamentam na palavra profética (revelação). Durante as aulas, atentaremos para o caráter profético da fé judaico-cristã, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Na aula de hoje, analisaremos panoramicamente o ministério profético no Antigo Testamento.
DEFINIÇÕES:
1. PROFETAS E PROFECIAS,.
Profetizar, em hebraico, é nabá que pressupõe sempre uma atuação do Espírito de Deus. Essa palavra significa “anunciar” ou “declarar”. A atividade profética através do Espírito de Deus se manifestou, inicialmente, aos anciãos e reis de Israel (Nm. 11.5; I Sm. 10.5; 19.20), ainda que Abraão seja o primeiro na Bíblia a receber a denominação de profeta (Gn. 20.7). Deus é quem prepara os profetas e os comissiona para essa tarefa (Ex. 3.1-4; Is. 6; Jr. 1.4-19; Ez. 1-3; Os. 1.2; Am. 7.14,15). Nos dias de Samuel existia uma escola de profetas que deram ao ofício profético autoridade e perpetuidade (I Sm. 19.18-19; II Rs. 2.3-5; 4.38; 6.1). Os estudiosos fazem a diferença entre os profetas canônicos e não canônicos. Entre esses últimos estaria Micaias, em I Rs. 22.8, que profetizou contra o rei Acabe em Israel. Entre os canônicos, destacamos Jeremias e Ezequiel que denunciaram o pecado do povo de Judá (Jr. 19.14; 20.21; 26.9; Ez. 34.2) e das nações (Ez. 4.7; 6.2; 13.2; 21.2; 29.2; 36.6; 38.2; 39.1). Positivamente, os profetas visualizaram a reconstrução de Israel, em Ezequiel, a partir de um vale de ossos secos (Ez. 37.4) e Joel, antevendo a atuação do Espírito em uma era vindoura (Jl. 2.28). Profeta, em hebraico, é nabi, palavra formada a partir de nabá, utilizada para se referir ao ministério profético. O profeta do Senhor está comissionado a falar, a ser um porta-voz de Deus. O termo nabi também é utilizado no Antigo Testamento para os falsos profetas, os quais estão sujeitos ao julgamento divino, tais como os profetas de Baal (I Rs. 18.19; II Rs. 10.19).
2. O PROFETA NO ANTIGO TESTAMENTO
O profeta do Antigo Testamento atua pelo Espírito Santo a fim de denunciar práticas que se opõem à vontade de Deus (Am. 8.4-6). O profeta manifesta a insatisfação do Senhor devido o ser humano ter se distanciado dEle e buscado alternativas inócuas (Jr. 2.12-13). O profeta tende à impopularidade, pois suas palavras costumam ser perturbadoras (Is. 49.2; Hc. 2.6,9 11-12; Is. 10.13; Jr. 8.9). A mensagem profética destoa dos valores comumente reconhecidos pela sociedade (Jr. 11.18; Is. 40.15,17; Jr. 4.23-26). O profeta vetero-testamentário é um iconoclasta, isto é, um destruidor de ídolos, sejam eles externos – os deuses pagãos – ou internos – produto da religiosidade judaica (Jr. 6.20; 7.21-23). Isso porque o profeta percebe, pela Palavra do Senhor, que a religiosidade, per se, manifestada na adoração do templo, era incapaz de manifestar uma fé genuína, na verdade, serviria apenas para ocultar a ausência de uma espiritualidade sadia (Jr. 7.4-15). Mas o profeta, em consonância com o Senhor, não é insensível à dor do povo, nem mesmo aos seus pecados (Ez. 18.23), sua meta principal é conduzi-lo ao restabelecimento espiritual (Is. 35.3). Para tanto, o profeta chama seus ouvintes à responsabilidade. Por causa disso, o profeta é obrigado a viver em solidão, e frequentemente, na miséria (Jr. 15.15; 20.9-18; Am. 5.10), mesmo assim, não pode fugir da responsabilidade para a qual foi comissionado (Ez. 2.4-6; 3.8,9; 33.6-7; Mq. 3.8; Jr. 2.19). Apesar de tudo isso, o profeta encontra satisfação no Senhor, nas Suas Palavras (Jr. 15.16).
3. MOISÉS E O MINISTÉRIO PROFÉTICO
Ainda que haja menção de Abraão como profeta (Gn. 20.7), é Moisés o primeiro profeta nacional de Israel. Esse homem de Deus fora chamado para retirar o povo de Israel do cativeiro egípcio. Durante a caminhada pelo deserto, no capítulo 11 de Números, há um registro da manifestação do Espírito Santo, fazendo com que os anciãos de Israel profetizassem. Depois de serem levados ao tabernáculo, os anciãos experimentaram um pentecoste no Antigo Testamento, ainda que, naquele momento, não tenha havido a manifestação de línguas, como em Atos 2. Mas, do mesmo modo, o Espírito Santo atuou entre os israelitas, e esses passaram a profetizar (Nm. 11.25). Depois dos setenta anciãos, Eldade e Medade, não mais entre os setenta, mas no meio do arraial. A profecia desses foi censurada por alguns que assistiam no local. Um moço, não identificado pelo texto bíblico, se dirigiu a Moisés, para reclamar da profecia de Eldade e Medade. Josué, o auxiliar direto de Moisés, concordou com a reclamação do rapaz. Moisés, porém, foi sensível à atuação do Espírito Santo, e não censurou a profecia. Ao contrário, “porém Moisés lhe disse” que seria interessante que não apenas aqueles, mas que todo o povo de Israel profetizasse (Nm. 11.29).
CONCLUSÃO
Algumas lições podem ser extraídas dessa passagem bíblica: 1) é Deus, e não os homens, quem autentica a autoridade ministerial através do Seu Espírito; 2) o Espírito Santo opera como lhe apraz, pois Ele é Soberano; 3) as manifestações do Espírito Santo não são exclusividades da liderança; 4) os líderes verdadeiramente chamados por Deus não devem ter receio de perderem a função e nem viverem em competição uns com os outros; e 5) contanto que esteja em conformidade com a Palavra de Deus, não há motivos para temer a manifestação do Espírito Santo.
No Novo Testamento
1 - INTRODUÇÃO
Com o derramamento do Espírito Santo no dia de pentecostes, em Atos capítulo 2, cumpriu-se a profecia do profeta Joel 2:28-32 e iniciou-se a Igreja de Cristo. A realidade de uma nova aliança entre Deus e o homem é firmada na obra salvífica de morte e ressurreição de Jesus, a qual torna disponível, a todos aqueles que por meio da fé e do arrependimento entregam suas a Cristo e se submetem ao seu senhorio.
Com este ato de fé e entrega o cristão instantaneamente é inserido no corpo de Cristo e batizado no Espírito Santo, (1Co 12:1-10) isto é, ele passa a ser habitado pela terceira pessoa da trindade, o Espírito Santo, que operacionaliza a obra de justificação, regeneração, santificação e futura glorificação do cristão.
Com a presença permanente do Espírito Santo na vida do cristão, abre-se um leque de possibilidades para os filhos de Deus do Novo Testamento que supera em muito a experiência dos que buscavam a Deus no Antigo Testamento, e tinham apenas uma presença momentânea do Espírito Santo em suas vidas para trazer capacitação sobrenatural no exercício de alguma tarefa comissionada por Deus.
Em Joel 2:28-32 encontra-se a seguinte profecia:
28 E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. 29 E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. 30 E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.32 E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar.
Esta profecia anuncia o tempo onde todos os que buscarem a Deus poderão ser salvos e receber o derramar do Espírito Santo em suas vidas, capacitando-os para uma vida de acordo com a vontade de Deus, regida por uma lei interior e não mais por uma lei exterior, fundamentada em rituais e processos.
Com este derramar do Espírito Santo que se cumpriu em Atos 2, agora cada cristão tem a possibilidade de se comunicar com Deus, ouvir a sua voz por meio das Escrituras e demais meios soberanos escolhidos pelo Criador para se revelar aos seus filhos. Além disso, todos são transformados em potenciais profetas, isto é, poderão ser usados por Deus para comunicar a sua Palavra a todas as pessoas a quem Deus queira falar ou exercer quaisquer outros dons distribuídos pelo Espírito Santo ao corpo de Cristo.
Neste contexto de nascimento da Igreja e de derramamento do Espírito Santo no Novo Testamento, o presente artigo busca apresentar uma visão geral sobre prática do dom de profecia na igreja do Novo Testamento, segundo a ótica da corrente teológica que afirma a contemporaneidade dos dons espirituais miraculosos para os dias de hoje.
Neste estudo, não serão abordados os assuntos referentes aos argumentos que sustentam e defendem a contemporaneidade de tais dons para os dias atuais, sendo assim, este estudo objetiva expor as definições e práticas de tal dom profético na comunidade cristã primitiva nos tempos de Paulo, o apóstolo, e recomendá-los para a pratica das igrejas contemporâneas.
2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 - A definição do dom de profecia segundo o Novo Testamento
O dom de profecia é mencionado e exemplificado de forma extensa nos capítulos 12 e 14 do livro de 1Coríntios, que foram escritos pelo apóstolo Paulo, para corrigir alguns excessos que ocorriam na igreja de Corinto e que estavam prejudicando o convívio e a edificação desta comunidade cristã. O presente artigo terá como base principal, estes dois capítulos para fundamentação bíblica da prática do dom de profecia e os comentários de diversos autores sobre estas passagens.
Primeiramente, é muito importante que seja dado algumas definições do dom de profecia na visão de diferentes autores, segundo Grudem (2010) o dom de profecia pode ser compreendido como o simples relato de uma mensagem, que o Espírito Santo traz a mente da pessoa. Já para Wagner (2004) a profecia é a capacidade dada por Deus para que algumas pessoas anunciem uma mensagem direta e divinamente ungida da parte de Deus para o seu povo. Blomberg (1995), ressalta que a profecia pode incluir a predição de eventos futuros, mas normalmente o seu conteúdo tem como predominância a exortação ao povo de Deus sobre a sua vontade. Outra definição importante é dada por Iverson (1976) que declara que quanto uma pessoa exerce o dom de profecia ela se torna porta-voz de Deus, e passa falar de acordo com a mente e o conselho de Deus, mas sem a autoridade canônica e inerrânte dos profetas do Antigo Testamento.
2.2 - As profecias do Novo Testamento são diferentes das profecias do Antigo Testamento e não possuem a mesma autoridade que as Escrituras Sagradas.
No Antigo Testamento os profetas eram porta-vozes de Deus e o que eles falavam eram consideradas as palavras do próprio Deus, carregavam em si o poder da inerrância e da autoridade canônica divina, sendo autorizados a escreverem as Escrituras Sagradas. Já no Novo Testamento, ocorre uma mudança das funções da posse da autoridade canônica para pronunciar e registrar as palavras do próprio Deus, Conzelmann (1988). Essa função é repassada dos profetas para os apóstolos, uma nova classe criada por Jesus para representar a nova aliança, esses mensageiros enviados por Cristo, para proclamar a sua palavra era um grupo restrito de apenas algumas pessoas que foram comissionadas pessoalmente por Jesus para tal trabalho e encargo, Bevere (2006).
Sandnes (1991), elucida que no Novo Testamento existem dois tipos de profecias: a dos apóstolos-profetas, que sucedem os profetas verotestamentários canônicos, que possuíam a autoridade de proferir palavras divinas e dotadas de inerrância e que poderiam ser consideradas Palavra de Deus ou Escrituras Sagradas e as profecias proferidas pelos demais cristãos que eram portadores do dom espiritual da profecia, cujas proclamações poderiam ser julgadas e testadas em virtude da possibilidade de equívocos de interpretação ou aplicação da revelação recebida, (1Co 14:29).
Nos escritos de Paulo, evidencia-se que ele não considerava que as palavras proferidas por meio do dom de profecia, nas igrejas do Novo Testamento, eram equivalentes aos profetas canônicos da velha aliança, pois ele recomenda a avalição de tais declarações e também demonstra que os cristãos primitivos também não qualificavam tais proclamações como comparáveis as mensagens dos profetas do Antigo Testamento, chegando ao ponte de Paulo precisar instruir os cristão de Tessalônica a não desprezarem as profecias, (1Ts 5:20).
No Novo Testamento os apóstolos que eram dotados por Deus para ministrarem e darem instruções normativas e de cunho canônico e universal ao corpo de Cristo, em quanto os profetas da igreja primitiva, ministravam sobre questões locais e de caráter de edificação, consolação e exortação, de acordo com Stott (2000), não sendo autorizados, a acrescentarem palavras nas Escrituras Sagradas do Novo Testamento e os mesmos deveriam estar subordinados e sujeitos a liderança apostólica, (1Co 14:37-38), conforme contribui Grudem (2004) em sua explanação.
Embora a profecia no Novo Testamento não transmita autoridade divina intrínseca, é eminentemente proveitosa e deve ser tida na mais alta estima, (1Co 14:9; 1Ts 5:20).
2.3 - A definição do termo “profeta” no contexto do Novo Testamento
No período do Novo Testamento, o sentido do termo profeta ou prophetes já não carregava o mesmo sentido e peso, da expressão em hebraico nabi que era usada para designar os profetas do Antigo Testamento, que falam em nome de Deus, as palavras do próprio Deus. A expressão profeta já tinha se secularizado e era empregado na comunidade greco-romana para várias atividades e trabalhos.
Grudem (2004), cita várias profissões que recebiam a terminologia “profeta” para designar suas práticas, dentre elas encontram-se: os filósofos, os especialistas em botânica, os professores, os escritores e os charlatões da medicina também eram classificados como profetas no período do Novo Testamento entre 40-120 d.C. Apenas pela palavra profeta não era possível identificar o verdadeiro sentido ao qual a palavra estava se referindo, pois como o seu uso se tornou muito abrangente, apenas pela análise do contexto em que o termo estava sendo empregado que era possível determinar para o real objetivo linguístico.
2.4 - O dom de profecia é diferente do dom de ensino no Novo Testamento
O dom de profecia não pode ser confundido com o dom de ensino/pregação, pois são dons distintos em funcionalidade e operacionalidade. Grudem (2010), apresenta vários argumentos que comprovam a distinção entre os dons de profecia e ensino/pregação, são eles: os dons de profecia e ensino são apresentados de forma distinta nas páginas do Novo Testamento, a profecia é baseada em uma revelação espontânea e não preparada e contém informações que não se encontram nas Escrituras apesar de não contradizê-las, já o ensino é fundamentado em um estudo preparado dos ensinamentos das Escrituras e contém apenas o que está registrado nos livros canônicos, a profecia não pode trazer instrução normativa, doutrinária e ética, já o ensino pode ser usado por meio da exposição das Escrituras para afirmar as ordens divinas de conduta ética e doutrinária, a profecia normalmente tratava de um assunto que não era conhecido por todos e normalmente envolvia a revelação de conhecimentos e informações que eram pensamentos e segredos do coração das pessoas (1Co 14:24-25), já o ensino é a explicação e aplicação das ordenanças divinas contidas nas Escrituras.
Fee (1987) concorda com os argumentos apresentados anteriormente por Grudem (2010) e acrescenta ainda, que as profecias têm menos autoridade que o ensino, e que as mesmas, devem estar sujeitas e em concordância com o ensino correto e autorizado das Escrituras, não sendo aceitável existir qualquer discordância entre as Escrituras e o conteúdo das mensagens de profecia, também afirma que as Escrituras não podem ser questionadas como as profecias devem ser questionadas e julgadas, mas relembra que o ensino também sempre deve ser questionado, pois a prática do ensino também está sob influência do intelecto da pessoa que ministra o ensino.
2.5 - As funções do dom de profecia na igreja local
No Novo Testamento a profecia neotestamentárias, tem como conteúdo, objetivos e funções as ações de: trazer edificação a igreja At 14:3, ministrar consolação a indivíduos At 14:3, aplicar exortação e fortalecimento At 14:3; At 15:32, trazer instrução e ensino At 14:31, causar convicção de pecado e arrependimento por meio da revelação de segredos do coração e pensamentos 1Co 14:24-25, dar orientação ministerial At 13:1-3, trazer advertências At 21:4-5, identificar dons espirituais e chamados ministeriais 1Tm 1:18; 1Tm 4:14, predizer situações e eventos futuros afim preparar o povo de Deus At 11:27-30; At 21:11; Ap 1:1; Ap 4:6; Ap 22:6 e também para auxiliar na resolução de problemas e questões difíceis de interpretação At 15:28. Portanto o dom espiritual de profecia possui um universo de aplicações de alto valor agregado para o crescimento da igreja local do novo testamento e seu aperfeiçoamento espiritual.
2.6 - Diversos meios pelos quais Deus pode se comunicar para revelar uma mensagem profética a uma pessoa em particular
São diversos os meios pelos quais uma pessoa pode receber uma mensagem profética, ou uma comunicação divinamente inspirada, para trazer benefícios de edificação à comunidade eclesiástica de Cristo. A seguir são apresentados os meios utilizados por Deus, nos escritos do Novo Testamento.
2.6.1 - Impressões:
Uma das manifestações mais comuns de recepção das mensagens proféticas são as impressões na mente, Deere (1998) explica afirmando que é as impressões seguem um sentido similar ao de uma intuição inspirada, mas a mesma é pelo Espírito Santo, um pensamento que vem a mente da pessoa de forma espontânea e não planejada, com uma expressão de uma ideia completa e que não foi formulada pela pessoa de forma consciente. Segundo Thompsom (2002), muitas pessoas descobrem que vários pensamentos que são considerados “vagos” por elas, e que aparentemente não fazem nenhum sentido para elas, mas quando elas pronunciam ou compartilham esses pensamentos, acabam descobrindo que essas informações proferidas, acabam edificando, consolando ou exortando, outro irmão em Cristo que estava passando por uma situação ou circunstâncias que se encaixam perfeitamente no que foi descrito.
2.6.2 - Sonhos:
Os sonhos, que são as imagens produzidas pela mente humana em momentos de sono profundo, expressando vivencias do dia-a-dia da pessoa, suas angustias ou necessidades, também podem ser um caminho pelo qual o Espírito Santo entregará uma mensagem profética, (Mt 2:12; 27:19). No novo testamento existem duas palavras em grego: onar e enupnion que representam contextos nos quais Deus falou com pessoas por meio de sonhos espirituais, que tinham um significado e uma mensagem especial para a pessoa. Scott (2006), adverte que os sonhos podem ter três origens: o Espírito de Deus, a alma humana ou espíritos demoníacos e enfatiza que não se deve dar muita atenção e importância aos sonhos até que seja discernida, de forma precisa a origem de tal experiência.
2.6.3 - Visões:
Na mesma categoria dos sonhos, encontram-se as experiências de visões, mas ao invés de serem recebidas durante o sono, são vivenciadas quando a pessoa está acordada. No novo testamento existem duas que são empregadas para definir estas recepções proféticas, são elas: horama e horasis (At 9:10-16; 16:9). A autora Jacobs (2001), contribui com o presente artigo expondo que pode existir uma variação na intensidade das visões que são experimentadas, variando de rápidas visões interiores que aparecem por segundos na mente do indivíduo a visões intensas e prolongadas na qual uma imagem ou cena são apresentados a pessoa de forma vívida e chamativa.
2.6.4 - Êxtase:
No livro de Atos, conforme as passagens a seguir demonstram, (At 10:2; 11:5; 22:17) uma outra experiência mais intensa, também pode ser considerada na comunicação profética entre Deus e uma pessoa, é o êxtase ou ekstasis em grego. Joyner (2002), define êxtase como uma situação a onde os sentidos da pessoa são suspensos e ela perde o poder de interferir na experiência a qual está sendo submetida e a pessoa sente-se como que transportada para dentro da visão que está tendo. Essa possivelmente é uma experiência que quando utilizada pelo Espírito Santo, objetiva chamar a atenção da pessoa de forma completa e a evitar distrações na comunicação do conteúdo da mensagem divina. De acordo com Sandnes (1991), o êxtase era mais comumente experimentando pelos profetas do Antigo Testamento, mas também ocorre algumas vezes no Novo Testamento, não sendo uma forma usual e corriqueira de comunicação sobrenatural entre Deus e seus profetas na igreja primitiva.
2.6.5 - Arrebatamento de espírito:
Tal qual como o êxtase, outra forma de interação entre Deus e o profeta é o arrebatamento de espírito, expresso em grego na seguinte sentença: egenomehn ehn pneumatii e exposto nas passagens neotestamentárias a seguir, (2Co 12:2-3; Ap 4:1-2). Champlim (2005), define o arrebatamento de espírito, como uma situação em que o espírito da pessoa é retirado de seu corpo, e a pessoa é levada a regiões celestiais assim como Paulo e João, experimentaram e entram em contato com seres celestiais em seu habitat natural, o mundo espiritual, e recebem palavras e informações que devem ser compartilhadas com a igreja.
2.6.6 - Visitações de Anjos e do Senhor Jesus:
Em grau similar das visões, as visitações angelicais que comumente é expressa pela palavra grega optasia e explicitada nos versículos (Lc 1:11; 26-38; At 1:3; 10:1-6), possuem várias ocorrências nas escrituras, onde um mensageiro divino se materializa perante uma pessoa para entregar uma orientação divina, Cooke (2005). Seguindo na mesma categoria de materialização de personalidades celestiais, nos livros do Novo Testamento, ocorrem experiências poderosas de visitações do Senhor Jesus ressurreto à pessoas, a onde uma revelação ou apokalupsis (At 7:55-56; 9:3-7; 23:11; Ap 1:17-18) é manifestado ao receptor profético, Menzies (2002).
2.6.7 - A voz audível de Deus:
E por fim, uma das experiências proféticas mais raras encontradas no Novo Testamento, encontra-se a escuta da voz audível de Deus, definida na expressão grega, phone e nas passagens de (Mt 3:17; Lc 9:28-36). Para Wentroble (1999), a voz audível de Deus, é um meio de se transmitir uma mensagem de forma clara, e de uma maneira que os ruídos de comunicação sejam minimizados, intentando que o profeta compreenda de forma clara o que está sendo manifesto por Deus.
2.7 - Orientações práticas do Novo Testamento para regulamentação do exercício do dom de profecia na igreja local
2.7.1 - Todos podem profetizar e devem ter a oportunidade de fazê-lo:
Para Fee (1987) e Cranfield (1979) algumas pessoas eram chamadas de profetas porque supostamente exerciam a proclamação profética com maior frequência, mas a possibilidade de profetizar estava disponível a todos da congregação, (1Co 12:31; 14:1, 5, 39). Não dar espaço para o pronunciamento das revelações, recebidas por intermédio do dom de profecia era considerado, “abafar” o Espírito, (1Ts 5:19) e Robeck (1993) ressalta que as profecias deveriam sempre ser proferidas nas reuniões de adoração para o bem da igreja.
2.7.2 - Os profetas devem dar oportunidade para que outras pessoas também compartilhem as suas mensagens proféticas, segundo as normas de Paulo, um profeta deveria se calar e sentar para dar oportunidade a outro, quando fosse avisado que outra pessoa no meio da congregação tinha recebido uma revelação da parte Deus que deveria ser comunicada a igreja, (1Co 14:30-31). Com esta recomendação Paulo deixa claro que nas reuniões de edificação da igreja não deveriam ser monopolizadas por nenhuma pessoa.
2.7.3 - Homens e Mulheres podem profetizar:
No exercício do dom de profecia não há distinção de gêneros, entre homem e mulher, (At 21:8-9; 1Co 11:4-5) como era imposto à prática do ensino na igreja local, segundo as ordenanças apostólicas de Paulo, (1Co 14:33-35). Portanto, Paulo ensinava e incentivava a prática do dom de profecia por qualquer cristão, mas ressaltava que nem todos possuiriam este dom, assim como nem todos falariam em línguas (1Co 12:29-30).
2.7.4 - As profecias não são infalíveis, são incompletas e devem ser testadas:
De acordo com os ensinos paulinos, (1Co 13:12; 14:29; 1Ts 5:19-21) as profecias não são infalíveis, são incompletas e devem ser testadas. O profeta como uma pessoa humana e falível, pode receber uma revelação divina correta e errar na interpretação ou aplicação desta mensagem. No livro de Atos, há o registro de uma profecia proferida por Ágabo, um profeta itinerante que viajava por diversas igrejas, ministrando e exercendo o seu dom profético, (At 11:27-30; 21:11), a profecia de Ágabo, inspirada pelo Espírito Santo, previa que os judeus iriam amarrar e prender Paulo e entrega-lo aos gentios, Paulo foi realmente preso mas a profecia não se cumpriu da forma que Ágabo profetizou, ela estava errada em alguns detalhes que foram proferidos por ele mas que não se tornaram realidade. Este é apenas um exemplo de como uma profecia que verdadeiramente foi inspirada pelo Espírito Santo, segundo o escritor de Atos, pode ser influenciada pelo intelecto humano na sua interpretação e pronunciamento.
Para que o dom de profecia seja utilizada da melhor maneira, os profetas da igreja devem se colocar humildemente a disposição dos demais irmãos da congregação para que suas palavras avaliadas e testadas por irmãos mais experientes na palavra e no uso dos dons proféticos. Em 1Co 14:29 Paulo usa a expressão “falem dois ou três e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito” e em 1Ts 5:21 ele exorta os tessalonicenses que “examinem tudo e retenham o que é bom” no contexto destas passagens fica explícito o desejo de Paulo, de que as pessoas deveriam ouvir as profecias e discernir qual parte delas deveria ser recebida como boa e útil para edificação e qual parte poderia ser descartada por ter sido apenas uma influência da mente do profeta.
Cooke (2005), oferece um conjunto de perguntas que devem ser levadas em consideração na avaliação e julgamento das profecias, elas compreendem os seguintes pontos: a profecia está em harmonia com as Escrituras ou apresenta algum erro doutrinário? A profecia exalta a Cristo, ao profeta ou o destinatário da profecia? Sua aplicação traz edificação, consolo ou exortação? A profecia demonstra sinais de manipulação ou controle por parte do profeta para com o destinatário da mensagem? Bevere (2006), acrescenta ainda outros itens que devem ser levados em consideração: Existe paz em relação à mensagem profética recebida ou inquietação? Há um espírito de humildade ou de soberba no estilo de pronunciamento da profecia? O profeta possui o Fruto do Espírito de forma evidente em sua vida? O profeta é reconhecido por sua ética e submissão à liderança da igreja local ou tem tendências à rebeldia?
Com as orientações apresentadas anteriormente pode-se estabelecer na igreja local, uma regulamentação do exercício do dom de profecia de acordo com os ensinos paulinos no Novo Testamento e de uma forma que realmente contribua para o aperfeiçoamento da igreja e conversão dos incrédulos.
Mesmo sendo uma fonte de controvérsias as profecias não devem ser desprezadas, segundo Paulo em 1Ts 5:20, pois os seus benefícios são muito maiores que seu malefícios, e se bem supervisionado pela liderança e presbitério da igreja local, a igreja pode se beneficiar grandemente com aquilo que Deus pode proporcionar à igreja conforme exposto na sessão de funções do dom de profecia.
2.7.5 - O dom de profecia está sujeito ao profeta:
No momento da entrega da profecia, o profeta deve estar no controle de suas emoções e ação, pois segundo Paulo a pessoa que profetiza tem o controle sobre o exercício do dom de profecia, em 1Co 14:29-33, fica evidente que o exercício do dom profético não é uma experiência extática, isto é, não afeta o controle mental e racional da pessoa enquanto pronuncia a mensagem, a pessoa tem domínio sobre sua fala, sua entonação de voz, e sobre as palavras que escolhe para pronunciar a revelação recebida.
O padrão exigido por Paulo na prática deste dom difere muito do padrão dos profetas das seitas greco-romanas que segundo Grudem (2004), ficavam com seus sentidos alterados e eram “possuídos” pelos espíritos dos oráculos que os utilizavam para canalizar as mensagens proféticas de adivinhação, isto é, não tinham controle sobre o que faziam enquanto profetizavam.
Outra recomendação relacionada ao controle do profeta sobre o uso dom está relacionada com as palavras empregas para repassar o relato da revelação, em nenhum momento no Novo Testamento, observa-se o padrão verotestamentários de pronunciação profética, que utiliza declaração na primeira pessoa, dando a entender que quem está falando é o próprio Deus ou o termo “Assim diz o Senhor”. Bickle (2003) incentiva que a profecia seja compartilha de uma forma simples e natural, sem uso de expressões padronizadas, sem sotaques, alteração da voz, sem movimentos corporais repetitivos e frenéticos, deve-se apenas relatar o que pessoa, viu, ouviu, sentiu ou experimentou durante o momento em que Deus falava com a pessoa.
2.7.6 - O dom de profecia varia em força, intensidade e precisão:
Conforme uma pessoa utiliza e exercita o dom de profecia, ela pode desenvolver um maior grau de experiência, exatidão e força na sua ministração, Chown (2002) o dom pode variar em força e intensidade conforme Grudem (2010) baseado no texto de Rm 12:6 que declara “se é profecia, seja segundo a medida da fé”, Grudem entende que este texto demonstra uma variação no exercício do dom de profecia que será mais ou menos intenso segundo a medida de fé que a pessoa possuiu. Portanto o profeta deve falar de modo proporcional à confiança e certeza que possui uma palavra que provém verdadeiramente da parte de Deus.
A prática de qualquer habilidade ou atividade produz familiaridade, segurança e experiência e com o uso dos dons espirituais, não é diferente, quanto mais uma pessoa se coloca a disposição do Espírito Santo para ser usado com os dons espirituais, mas ela vai aprender a usar seus dons e mais edificar ela será na edificação do corpo de Cristo.
2.7.7 - O dom de profecia não é um instrumento para adivinhações e orientações pessoais:
Os cristãos não devem criar uma dependência do dom de profecia ou de profetas para tomar decisões diárias e rotineiras da vida, o objetivo deste dom não servir de amuleto para consultas rápidas de quais são as melhores decisões a serem tomadas, Goll (2004). Deus dotou cada cristão com sabedoria e com a presença do Espírito Santo que ajuda a cada um a discernir o que deve ser feito conforme a vontade de Deus, o cristão deve usar o seu intelecto para estudar, examinar e averiguar os ensinamento das Escrituras e com base nelas conduzir sua vida. A liderança da igreja também nunca deve apelar para o uso não autorizado de falsas profecias para induzir pessoas da igreja a concordarem com suas ideias e projetos.
2.8 - Possíveis perigos na utilização do de profecia
Com o exercício prolongado do dom de profecia, as pessoas podem acabar sendo denominados de profetas, e com isso seus corações tornam-se mais propensos a brechas no caráter para o orgulho e a soberba espiritual, fazendo com que muitas destas pessoas, passem a demonstrar certo sentimento de superioridade em relação a outros cristãos que possuem dons espirituais de menor demonstração pública, Iverson (1976).
Também pode ocorrer a hiper-valorização das experiências subjetivas em detrimento da objetividade do ensino bíblico e consistente das Escrituras, problema este, que deve ser corrigido pela liderança pastoral da igreja para que não se crie uma cultura mística na comunidade, Wagner (2004).
Por fim, conforme Hill (1979), outros perigos relacionam-se à tentação de rebeldia e insubmissão perante as lideranças locais, que muitas vezes por não compreenderem a manifestações do ministério profético acabam marginalizando muitas pessoas que afirmam vivenciar experiências recepção de mensagens divinas por outros meios além da leitura sistemática da bíblia.
3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a análise dos textos bíblicos do Novo Testamento, que abordam o ensino sobre o dom de profecia e as suas demonstrações práticas, e após a verificação das considerações e interpretações dos argumentos e pensamentos de diversos autores especialistas no estudo da pneumatologia, exegese e línguas originais do Novo Testamento, o presente artigo conclui que o exercício do dom de profecia na igreja local do Novo Testamento era um instrumento vital para edificação da comunidade cristã primitiva, tornando a vivencia espiritual dos cristãos mais intensa na percepção da proximidade e cuidado divino para com as questões pessoais e individuais de cada pessoa, as quais muitas vezes eram abordadas em mensagens proféticas que visavam o seu encorajamento e fortalecimento na fé.
As orientações de regulamentação do dom de profecia no Novo Testamento apresentadas neste artigo, podem contribuir para que muitas igrejas na atualidade repensem as suas práticas no uso do dom de profecia, sejam elas igrejas carismática, pentecostais ou tradicionais e que com isso passem a permitir o exercício de tal se ainda não o fazem ou para corrigir quaisquer divergências nas suas práticas em relação aos ensinos paulinos sobre este assunto específico.
Para que os objetivos divinos de amadurecimento e aperfeiçoamento dos santos sejam alcançados conforme Efésio 4:11-14 o emprego de todos os dons são necessário pois eles foram disponibilizados pelo próprio Senhor Jesus a sua Igreja:
11 Foi ele quem “deu dons às pessoas”. Ele escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja. 12 Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo. 13 Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo. 14 Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas.
Pode-se negligenciar ou ignorar completamente a prática do dom de profecia no meio da igreja sem que haja quaisquer prejuízos ao desenvolvimento da fé dos cristãos? Será que uma igreja que por livre e espontânea vontade, e de forma deliberada, que decide não ensinar e incentivar o uso do dom de profecia está em concordância com os ensinos bíblicos e com expectativa de Deus para a sua Igreja? Não segundo o apóstolo Paulo, que ensinou aos seus discípulos, que valorizassem a busca e a prática deste dom: “Sigam o caminho do amor e busquem com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia” 1Co 14:1. “Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar” 1Co 14:39. “quem profetiza, edifica a igreja” 1 Co 14:4. Se na visão de Paulo, era necessário que a problemática igreja de Corinto, buscasse e desenvolvesse o dom de profecia em sua comunidade, para amadurecimento e edificação, não seria também proveitoso que as igrejas contemporâneas também procurassem obedecer a estes conselhos?
Espero que o breve artigo possa ter despertado entre os seus leitores, o interesse em conhecer melhor a fundamentação bíblica e teórica sobre o tema dos dons espirituais, principalmente os que estão ligados ao ministério profético da igreja neotestamentária. Como a literatura sobre o assunto é muito extensa, recomendo que estudos futuros possam aprofundar as questões relacionadas ao desenvolvimento da utilização do dom de profecia, especialmente ao que se refere na recepção das mensagens proféticas e em como ensinar as pessoas a perceberem e a prestarem mais atenção na linguagem de comunicação do Espírito Santo com os cristãos.
4 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
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[i] Graduando do Curso de Bacharelado em Teologia na modalidade CEAD, pela Universidade da Grande Dourados – UNIGRAN. Dourados - MS
PROFETA
OBJETIVO: Explicitar o caráter do ministério profético.
No Antigo Testamento.
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos, na Escola Bíblica Dominical, o ministério profético na Bíblia. As lições a serem estudadas visam orientar a respeito da natureza profética da fé judaico-cristã. Diferentemente de profissões de fé, que se baseia na experiência (misticismo) ou na razão (deísmo), o judaísmo e o cristianismo se fundamentam na palavra profética (revelação). Durante as aulas, atentaremos para o caráter profético da fé judaico-cristã, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Na aula de hoje, analisaremos panoramicamente o ministério profético no Antigo Testamento.
DEFINIÇÕES:
1. PROFETAS E PROFECIAS,.
Profetizar, em hebraico, é nabá que pressupõe sempre uma atuação do Espírito de Deus. Essa palavra significa “anunciar” ou “declarar”. A atividade profética através do Espírito de Deus se manifestou, inicialmente, aos anciãos e reis de Israel (Nm. 11.5; I Sm. 10.5; 19.20), ainda que Abraão seja o primeiro na Bíblia a receber a denominação de profeta (Gn. 20.7). Deus é quem prepara os profetas e os comissiona para essa tarefa (Ex. 3.1-4; Is. 6; Jr. 1.4-19; Ez. 1-3; Os. 1.2; Am. 7.14,15). Nos dias de Samuel existia uma escola de profetas que deram ao ofício profético autoridade e perpetuidade (I Sm. 19.18-19; II Rs. 2.3-5; 4.38; 6.1). Os estudiosos fazem a diferença entre os profetas canônicos e não canônicos. Entre esses últimos estaria Micaias, em I Rs. 22.8, que profetizou contra o rei Acabe em Israel. Entre os canônicos, destacamos Jeremias e Ezequiel que denunciaram o pecado do povo de Judá (Jr. 19.14; 20.21; 26.9; Ez. 34.2) e das nações (Ez. 4.7; 6.2; 13.2; 21.2; 29.2; 36.6; 38.2; 39.1). Positivamente, os profetas visualizaram a reconstrução de Israel, em Ezequiel, a partir de um vale de ossos secos (Ez. 37.4) e Joel, antevendo a atuação do Espírito em uma era vindoura (Jl. 2.28). Profeta, em hebraico, é nabi, palavra formada a partir de nabá, utilizada para se referir ao ministério profético. O profeta do Senhor está comissionado a falar, a ser um porta-voz de Deus. O termo nabi também é utilizado no Antigo Testamento para os falsos profetas, os quais estão sujeitos ao julgamento divino, tais como os profetas de Baal (I Rs. 18.19; II Rs. 10.19).
2. O PROFETA NO ANTIGO TESTAMENTO
O profeta do Antigo Testamento atua pelo Espírito Santo a fim de denunciar práticas que se opõem à vontade de Deus (Am. 8.4-6). O profeta manifesta a insatisfação do Senhor devido o ser humano ter se distanciado dEle e buscado alternativas inócuas (Jr. 2.12-13). O profeta tende à impopularidade, pois suas palavras costumam ser perturbadoras (Is. 49.2; Hc. 2.6,9 11-12; Is. 10.13; Jr. 8.9). A mensagem profética destoa dos valores comumente reconhecidos pela sociedade (Jr. 11.18; Is. 40.15,17; Jr. 4.23-26). O profeta vetero-testamentário é um iconoclasta, isto é, um destruidor de ídolos, sejam eles externos – os deuses pagãos – ou internos – produto da religiosidade judaica (Jr. 6.20; 7.21-23). Isso porque o profeta percebe, pela Palavra do Senhor, que a religiosidade, per se, manifestada na adoração do templo, era incapaz de manifestar uma fé genuína, na verdade, serviria apenas para ocultar a ausência de uma espiritualidade sadia (Jr. 7.4-15). Mas o profeta, em consonância com o Senhor, não é insensível à dor do povo, nem mesmo aos seus pecados (Ez. 18.23), sua meta principal é conduzi-lo ao restabelecimento espiritual (Is. 35.3). Para tanto, o profeta chama seus ouvintes à responsabilidade. Por causa disso, o profeta é obrigado a viver em solidão, e frequentemente, na miséria (Jr. 15.15; 20.9-18; Am. 5.10), mesmo assim, não pode fugir da responsabilidade para a qual foi comissionado (Ez. 2.4-6; 3.8,9; 33.6-7; Mq. 3.8; Jr. 2.19). Apesar de tudo isso, o profeta encontra satisfação no Senhor, nas Suas Palavras (Jr. 15.16).
3. MOISÉS E O MINISTÉRIO PROFÉTICO
Ainda que haja menção de Abraão como profeta (Gn. 20.7), é Moisés o primeiro profeta nacional de Israel. Esse homem de Deus fora chamado para retirar o povo de Israel do cativeiro egípcio. Durante a caminhada pelo deserto, no capítulo 11 de Números, há um registro da manifestação do Espírito Santo, fazendo com que os anciãos de Israel profetizassem. Depois de serem levados ao tabernáculo, os anciãos experimentaram um pentecoste no Antigo Testamento, ainda que, naquele momento, não tenha havido a manifestação de línguas, como em Atos 2. Mas, do mesmo modo, o Espírito Santo atuou entre os israelitas, e esses passaram a profetizar (Nm. 11.25). Depois dos setenta anciãos, Eldade e Medade, não mais entre os setenta, mas no meio do arraial. A profecia desses foi censurada por alguns que assistiam no local. Um moço, não identificado pelo texto bíblico, se dirigiu a Moisés, para reclamar da profecia de Eldade e Medade. Josué, o auxiliar direto de Moisés, concordou com a reclamação do rapaz. Moisés, porém, foi sensível à atuação do Espírito Santo, e não censurou a profecia. Ao contrário, “porém Moisés lhe disse” que seria interessante que não apenas aqueles, mas que todo o povo de Israel profetizasse (Nm. 11.29).
CONCLUSÃO
Algumas lições podem ser extraídas dessa passagem bíblica: 1) é Deus, e não os homens, quem autentica a autoridade ministerial através do Seu Espírito; 2) o Espírito Santo opera como lhe apraz, pois Ele é Soberano; 3) as manifestações do Espírito Santo não são exclusividades da liderança; 4) os líderes verdadeiramente chamados por Deus não devem ter receio de perderem a função e nem viverem em competição uns com os outros; e 5) contanto que esteja em conformidade com a Palavra de Deus, não há motivos para temer a manifestação do Espírito Santo.
No Novo Testamento
1 - INTRODUÇÃO
Com o derramamento do Espírito Santo no dia de pentecostes, em Atos capítulo 2, cumpriu-se a profecia do profeta Joel 2:28-32 e iniciou-se a Igreja de Cristo. A realidade de uma nova aliança entre Deus e o homem é firmada na obra salvífica de morte e ressurreição de Jesus, a qual torna disponível, a todos aqueles que por meio da fé e do arrependimento entregam suas a Cristo e se submetem ao seu senhorio.
Com este ato de fé e entrega o cristão instantaneamente é inserido no corpo de Cristo e batizado no Espírito Santo, (1Co 12:1-10) isto é, ele passa a ser habitado pela terceira pessoa da trindade, o Espírito Santo, que operacionaliza a obra de justificação, regeneração, santificação e futura glorificação do cristão.
Com a presença permanente do Espírito Santo na vida do cristão, abre-se um leque de possibilidades para os filhos de Deus do Novo Testamento que supera em muito a experiência dos que buscavam a Deus no Antigo Testamento, e tinham apenas uma presença momentânea do Espírito Santo em suas vidas para trazer capacitação sobrenatural no exercício de alguma tarefa comissionada por Deus.
Em Joel 2:28-32 encontra-se a seguinte profecia:
28 E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. 29 E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. 30 E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.32 E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar.
Esta profecia anuncia o tempo onde todos os que buscarem a Deus poderão ser salvos e receber o derramar do Espírito Santo em suas vidas, capacitando-os para uma vida de acordo com a vontade de Deus, regida por uma lei interior e não mais por uma lei exterior, fundamentada em rituais e processos.
Com este derramar do Espírito Santo que se cumpriu em Atos 2, agora cada cristão tem a possibilidade de se comunicar com Deus, ouvir a sua voz por meio das Escrituras e demais meios soberanos escolhidos pelo Criador para se revelar aos seus filhos. Além disso, todos são transformados em potenciais profetas, isto é, poderão ser usados por Deus para comunicar a sua Palavra a todas as pessoas a quem Deus queira falar ou exercer quaisquer outros dons distribuídos pelo Espírito Santo ao corpo de Cristo.
Neste contexto de nascimento da Igreja e de derramamento do Espírito Santo no Novo Testamento, o presente artigo busca apresentar uma visão geral sobre prática do dom de profecia na igreja do Novo Testamento, segundo a ótica da corrente teológica que afirma a contemporaneidade dos dons espirituais miraculosos para os dias de hoje.
Neste estudo, não serão abordados os assuntos referentes aos argumentos que sustentam e defendem a contemporaneidade de tais dons para os dias atuais, sendo assim, este estudo objetiva expor as definições e práticas de tal dom profético na comunidade cristã primitiva nos tempos de Paulo, o apóstolo, e recomendá-los para a pratica das igrejas contemporâneas.
2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 - A definição do dom de profecia segundo o Novo Testamento
O dom de profecia é mencionado e exemplificado de forma extensa nos capítulos 12 e 14 do livro de 1Coríntios, que foram escritos pelo apóstolo Paulo, para corrigir alguns excessos que ocorriam na igreja de Corinto e que estavam prejudicando o convívio e a edificação desta comunidade cristã. O presente artigo terá como base principal, estes dois capítulos para fundamentação bíblica da prática do dom de profecia e os comentários de diversos autores sobre estas passagens.
Primeiramente, é muito importante que seja dado algumas definições do dom de profecia na visão de diferentes autores, segundo Grudem (2010) o dom de profecia pode ser compreendido como o simples relato de uma mensagem, que o Espírito Santo traz a mente da pessoa. Já para Wagner (2004) a profecia é a capacidade dada por Deus para que algumas pessoas anunciem uma mensagem direta e divinamente ungida da parte de Deus para o seu povo. Blomberg (1995), ressalta que a profecia pode incluir a predição de eventos futuros, mas normalmente o seu conteúdo tem como predominância a exortação ao povo de Deus sobre a sua vontade. Outra definição importante é dada por Iverson (1976) que declara que quanto uma pessoa exerce o dom de profecia ela se torna porta-voz de Deus, e passa falar de acordo com a mente e o conselho de Deus, mas sem a autoridade canônica e inerrânte dos profetas do Antigo Testamento.
2.2 - As profecias do Novo Testamento são diferentes das profecias do Antigo Testamento e não possuem a mesma autoridade que as Escrituras Sagradas.
No Antigo Testamento os profetas eram porta-vozes de Deus e o que eles falavam eram consideradas as palavras do próprio Deus, carregavam em si o poder da inerrância e da autoridade canônica divina, sendo autorizados a escreverem as Escrituras Sagradas. Já no Novo Testamento, ocorre uma mudança das funções da posse da autoridade canônica para pronunciar e registrar as palavras do próprio Deus, Conzelmann (1988). Essa função é repassada dos profetas para os apóstolos, uma nova classe criada por Jesus para representar a nova aliança, esses mensageiros enviados por Cristo, para proclamar a sua palavra era um grupo restrito de apenas algumas pessoas que foram comissionadas pessoalmente por Jesus para tal trabalho e encargo, Bevere (2006).
Sandnes (1991), elucida que no Novo Testamento existem dois tipos de profecias: a dos apóstolos-profetas, que sucedem os profetas verotestamentários canônicos, que possuíam a autoridade de proferir palavras divinas e dotadas de inerrância e que poderiam ser consideradas Palavra de Deus ou Escrituras Sagradas e as profecias proferidas pelos demais cristãos que eram portadores do dom espiritual da profecia, cujas proclamações poderiam ser julgadas e testadas em virtude da possibilidade de equívocos de interpretação ou aplicação da revelação recebida, (1Co 14:29).
Nos escritos de Paulo, evidencia-se que ele não considerava que as palavras proferidas por meio do dom de profecia, nas igrejas do Novo Testamento, eram equivalentes aos profetas canônicos da velha aliança, pois ele recomenda a avalição de tais declarações e também demonstra que os cristãos primitivos também não qualificavam tais proclamações como comparáveis as mensagens dos profetas do Antigo Testamento, chegando ao ponte de Paulo precisar instruir os cristão de Tessalônica a não desprezarem as profecias, (1Ts 5:20).
No Novo Testamento os apóstolos que eram dotados por Deus para ministrarem e darem instruções normativas e de cunho canônico e universal ao corpo de Cristo, em quanto os profetas da igreja primitiva, ministravam sobre questões locais e de caráter de edificação, consolação e exortação, de acordo com Stott (2000), não sendo autorizados, a acrescentarem palavras nas Escrituras Sagradas do Novo Testamento e os mesmos deveriam estar subordinados e sujeitos a liderança apostólica, (1Co 14:37-38), conforme contribui Grudem (2004) em sua explanação.
Embora a profecia no Novo Testamento não transmita autoridade divina intrínseca, é eminentemente proveitosa e deve ser tida na mais alta estima, (1Co 14:9; 1Ts 5:20).
2.3 - A definição do termo “profeta” no contexto do Novo Testamento
No período do Novo Testamento, o sentido do termo profeta ou prophetes já não carregava o mesmo sentido e peso, da expressão em hebraico nabi que era usada para designar os profetas do Antigo Testamento, que falam em nome de Deus, as palavras do próprio Deus. A expressão profeta já tinha se secularizado e era empregado na comunidade greco-romana para várias atividades e trabalhos.
Grudem (2004), cita várias profissões que recebiam a terminologia “profeta” para designar suas práticas, dentre elas encontram-se: os filósofos, os especialistas em botânica, os professores, os escritores e os charlatões da medicina também eram classificados como profetas no período do Novo Testamento entre 40-120 d.C. Apenas pela palavra profeta não era possível identificar o verdadeiro sentido ao qual a palavra estava se referindo, pois como o seu uso se tornou muito abrangente, apenas pela análise do contexto em que o termo estava sendo empregado que era possível determinar para o real objetivo linguístico.
2.4 - O dom de profecia é diferente do dom de ensino no Novo Testamento
O dom de profecia não pode ser confundido com o dom de ensino/pregação, pois são dons distintos em funcionalidade e operacionalidade. Grudem (2010), apresenta vários argumentos que comprovam a distinção entre os dons de profecia e ensino/pregação, são eles: os dons de profecia e ensino são apresentados de forma distinta nas páginas do Novo Testamento, a profecia é baseada em uma revelação espontânea e não preparada e contém informações que não se encontram nas Escrituras apesar de não contradizê-las, já o ensino é fundamentado em um estudo preparado dos ensinamentos das Escrituras e contém apenas o que está registrado nos livros canônicos, a profecia não pode trazer instrução normativa, doutrinária e ética, já o ensino pode ser usado por meio da exposição das Escrituras para afirmar as ordens divinas de conduta ética e doutrinária, a profecia normalmente tratava de um assunto que não era conhecido por todos e normalmente envolvia a revelação de conhecimentos e informações que eram pensamentos e segredos do coração das pessoas (1Co 14:24-25), já o ensino é a explicação e aplicação das ordenanças divinas contidas nas Escrituras.
Fee (1987) concorda com os argumentos apresentados anteriormente por Grudem (2010) e acrescenta ainda, que as profecias têm menos autoridade que o ensino, e que as mesmas, devem estar sujeitas e em concordância com o ensino correto e autorizado das Escrituras, não sendo aceitável existir qualquer discordância entre as Escrituras e o conteúdo das mensagens de profecia, também afirma que as Escrituras não podem ser questionadas como as profecias devem ser questionadas e julgadas, mas relembra que o ensino também sempre deve ser questionado, pois a prática do ensino também está sob influência do intelecto da pessoa que ministra o ensino.
2.5 - As funções do dom de profecia na igreja local
No Novo Testamento a profecia neotestamentárias, tem como conteúdo, objetivos e funções as ações de: trazer edificação a igreja At 14:3, ministrar consolação a indivíduos At 14:3, aplicar exortação e fortalecimento At 14:3; At 15:32, trazer instrução e ensino At 14:31, causar convicção de pecado e arrependimento por meio da revelação de segredos do coração e pensamentos 1Co 14:24-25, dar orientação ministerial At 13:1-3, trazer advertências At 21:4-5, identificar dons espirituais e chamados ministeriais 1Tm 1:18; 1Tm 4:14, predizer situações e eventos futuros afim preparar o povo de Deus At 11:27-30; At 21:11; Ap 1:1; Ap 4:6; Ap 22:6 e também para auxiliar na resolução de problemas e questões difíceis de interpretação At 15:28. Portanto o dom espiritual de profecia possui um universo de aplicações de alto valor agregado para o crescimento da igreja local do novo testamento e seu aperfeiçoamento espiritual.
2.6 - Diversos meios pelos quais Deus pode se comunicar para revelar uma mensagem profética a uma pessoa em particular
São diversos os meios pelos quais uma pessoa pode receber uma mensagem profética, ou uma comunicação divinamente inspirada, para trazer benefícios de edificação à comunidade eclesiástica de Cristo. A seguir são apresentados os meios utilizados por Deus, nos escritos do Novo Testamento.
2.6.1 - Impressões:
Uma das manifestações mais comuns de recepção das mensagens proféticas são as impressões na mente, Deere (1998) explica afirmando que é as impressões seguem um sentido similar ao de uma intuição inspirada, mas a mesma é pelo Espírito Santo, um pensamento que vem a mente da pessoa de forma espontânea e não planejada, com uma expressão de uma ideia completa e que não foi formulada pela pessoa de forma consciente. Segundo Thompsom (2002), muitas pessoas descobrem que vários pensamentos que são considerados “vagos” por elas, e que aparentemente não fazem nenhum sentido para elas, mas quando elas pronunciam ou compartilham esses pensamentos, acabam descobrindo que essas informações proferidas, acabam edificando, consolando ou exortando, outro irmão em Cristo que estava passando por uma situação ou circunstâncias que se encaixam perfeitamente no que foi descrito.
2.6.2 - Sonhos:
Os sonhos, que são as imagens produzidas pela mente humana em momentos de sono profundo, expressando vivencias do dia-a-dia da pessoa, suas angustias ou necessidades, também podem ser um caminho pelo qual o Espírito Santo entregará uma mensagem profética, (Mt 2:12; 27:19). No novo testamento existem duas palavras em grego: onar e enupnion que representam contextos nos quais Deus falou com pessoas por meio de sonhos espirituais, que tinham um significado e uma mensagem especial para a pessoa. Scott (2006), adverte que os sonhos podem ter três origens: o Espírito de Deus, a alma humana ou espíritos demoníacos e enfatiza que não se deve dar muita atenção e importância aos sonhos até que seja discernida, de forma precisa a origem de tal experiência.
2.6.3 - Visões:
Na mesma categoria dos sonhos, encontram-se as experiências de visões, mas ao invés de serem recebidas durante o sono, são vivenciadas quando a pessoa está acordada. No novo testamento existem duas que são empregadas para definir estas recepções proféticas, são elas: horama e horasis (At 9:10-16; 16:9). A autora Jacobs (2001), contribui com o presente artigo expondo que pode existir uma variação na intensidade das visões que são experimentadas, variando de rápidas visões interiores que aparecem por segundos na mente do indivíduo a visões intensas e prolongadas na qual uma imagem ou cena são apresentados a pessoa de forma vívida e chamativa.
2.6.4 - Êxtase:
No livro de Atos, conforme as passagens a seguir demonstram, (At 10:2; 11:5; 22:17) uma outra experiência mais intensa, também pode ser considerada na comunicação profética entre Deus e uma pessoa, é o êxtase ou ekstasis em grego. Joyner (2002), define êxtase como uma situação a onde os sentidos da pessoa são suspensos e ela perde o poder de interferir na experiência a qual está sendo submetida e a pessoa sente-se como que transportada para dentro da visão que está tendo. Essa possivelmente é uma experiência que quando utilizada pelo Espírito Santo, objetiva chamar a atenção da pessoa de forma completa e a evitar distrações na comunicação do conteúdo da mensagem divina. De acordo com Sandnes (1991), o êxtase era mais comumente experimentando pelos profetas do Antigo Testamento, mas também ocorre algumas vezes no Novo Testamento, não sendo uma forma usual e corriqueira de comunicação sobrenatural entre Deus e seus profetas na igreja primitiva.
2.6.5 - Arrebatamento de espírito:
Tal qual como o êxtase, outra forma de interação entre Deus e o profeta é o arrebatamento de espírito, expresso em grego na seguinte sentença: egenomehn ehn pneumatii e exposto nas passagens neotestamentárias a seguir, (2Co 12:2-3; Ap 4:1-2). Champlim (2005), define o arrebatamento de espírito, como uma situação em que o espírito da pessoa é retirado de seu corpo, e a pessoa é levada a regiões celestiais assim como Paulo e João, experimentaram e entram em contato com seres celestiais em seu habitat natural, o mundo espiritual, e recebem palavras e informações que devem ser compartilhadas com a igreja.
2.6.6 - Visitações de Anjos e do Senhor Jesus:
Em grau similar das visões, as visitações angelicais que comumente é expressa pela palavra grega optasia e explicitada nos versículos (Lc 1:11; 26-38; At 1:3; 10:1-6), possuem várias ocorrências nas escrituras, onde um mensageiro divino se materializa perante uma pessoa para entregar uma orientação divina, Cooke (2005). Seguindo na mesma categoria de materialização de personalidades celestiais, nos livros do Novo Testamento, ocorrem experiências poderosas de visitações do Senhor Jesus ressurreto à pessoas, a onde uma revelação ou apokalupsis (At 7:55-56; 9:3-7; 23:11; Ap 1:17-18) é manifestado ao receptor profético, Menzies (2002).
2.6.7 - A voz audível de Deus:
E por fim, uma das experiências proféticas mais raras encontradas no Novo Testamento, encontra-se a escuta da voz audível de Deus, definida na expressão grega, phone e nas passagens de (Mt 3:17; Lc 9:28-36). Para Wentroble (1999), a voz audível de Deus, é um meio de se transmitir uma mensagem de forma clara, e de uma maneira que os ruídos de comunicação sejam minimizados, intentando que o profeta compreenda de forma clara o que está sendo manifesto por Deus.
2.7 - Orientações práticas do Novo Testamento para regulamentação do exercício do dom de profecia na igreja local
2.7.1 - Todos podem profetizar e devem ter a oportunidade de fazê-lo:
Para Fee (1987) e Cranfield (1979) algumas pessoas eram chamadas de profetas porque supostamente exerciam a proclamação profética com maior frequência, mas a possibilidade de profetizar estava disponível a todos da congregação, (1Co 12:31; 14:1, 5, 39). Não dar espaço para o pronunciamento das revelações, recebidas por intermédio do dom de profecia era considerado, “abafar” o Espírito, (1Ts 5:19) e Robeck (1993) ressalta que as profecias deveriam sempre ser proferidas nas reuniões de adoração para o bem da igreja.
2.7.2 - Os profetas devem dar oportunidade para que outras pessoas também compartilhem as suas mensagens proféticas, segundo as normas de Paulo, um profeta deveria se calar e sentar para dar oportunidade a outro, quando fosse avisado que outra pessoa no meio da congregação tinha recebido uma revelação da parte Deus que deveria ser comunicada a igreja, (1Co 14:30-31). Com esta recomendação Paulo deixa claro que nas reuniões de edificação da igreja não deveriam ser monopolizadas por nenhuma pessoa.
2.7.3 - Homens e Mulheres podem profetizar:
No exercício do dom de profecia não há distinção de gêneros, entre homem e mulher, (At 21:8-9; 1Co 11:4-5) como era imposto à prática do ensino na igreja local, segundo as ordenanças apostólicas de Paulo, (1Co 14:33-35). Portanto, Paulo ensinava e incentivava a prática do dom de profecia por qualquer cristão, mas ressaltava que nem todos possuiriam este dom, assim como nem todos falariam em línguas (1Co 12:29-30).
2.7.4 - As profecias não são infalíveis, são incompletas e devem ser testadas:
De acordo com os ensinos paulinos, (1Co 13:12; 14:29; 1Ts 5:19-21) as profecias não são infalíveis, são incompletas e devem ser testadas. O profeta como uma pessoa humana e falível, pode receber uma revelação divina correta e errar na interpretação ou aplicação desta mensagem. No livro de Atos, há o registro de uma profecia proferida por Ágabo, um profeta itinerante que viajava por diversas igrejas, ministrando e exercendo o seu dom profético, (At 11:27-30; 21:11), a profecia de Ágabo, inspirada pelo Espírito Santo, previa que os judeus iriam amarrar e prender Paulo e entrega-lo aos gentios, Paulo foi realmente preso mas a profecia não se cumpriu da forma que Ágabo profetizou, ela estava errada em alguns detalhes que foram proferidos por ele mas que não se tornaram realidade. Este é apenas um exemplo de como uma profecia que verdadeiramente foi inspirada pelo Espírito Santo, segundo o escritor de Atos, pode ser influenciada pelo intelecto humano na sua interpretação e pronunciamento.
Para que o dom de profecia seja utilizada da melhor maneira, os profetas da igreja devem se colocar humildemente a disposição dos demais irmãos da congregação para que suas palavras avaliadas e testadas por irmãos mais experientes na palavra e no uso dos dons proféticos. Em 1Co 14:29 Paulo usa a expressão “falem dois ou três e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito” e em 1Ts 5:21 ele exorta os tessalonicenses que “examinem tudo e retenham o que é bom” no contexto destas passagens fica explícito o desejo de Paulo, de que as pessoas deveriam ouvir as profecias e discernir qual parte delas deveria ser recebida como boa e útil para edificação e qual parte poderia ser descartada por ter sido apenas uma influência da mente do profeta.
Cooke (2005), oferece um conjunto de perguntas que devem ser levadas em consideração na avaliação e julgamento das profecias, elas compreendem os seguintes pontos: a profecia está em harmonia com as Escrituras ou apresenta algum erro doutrinário? A profecia exalta a Cristo, ao profeta ou o destinatário da profecia? Sua aplicação traz edificação, consolo ou exortação? A profecia demonstra sinais de manipulação ou controle por parte do profeta para com o destinatário da mensagem? Bevere (2006), acrescenta ainda outros itens que devem ser levados em consideração: Existe paz em relação à mensagem profética recebida ou inquietação? Há um espírito de humildade ou de soberba no estilo de pronunciamento da profecia? O profeta possui o Fruto do Espírito de forma evidente em sua vida? O profeta é reconhecido por sua ética e submissão à liderança da igreja local ou tem tendências à rebeldia?
Com as orientações apresentadas anteriormente pode-se estabelecer na igreja local, uma regulamentação do exercício do dom de profecia de acordo com os ensinos paulinos no Novo Testamento e de uma forma que realmente contribua para o aperfeiçoamento da igreja e conversão dos incrédulos.
Mesmo sendo uma fonte de controvérsias as profecias não devem ser desprezadas, segundo Paulo em 1Ts 5:20, pois os seus benefícios são muito maiores que seu malefícios, e se bem supervisionado pela liderança e presbitério da igreja local, a igreja pode se beneficiar grandemente com aquilo que Deus pode proporcionar à igreja conforme exposto na sessão de funções do dom de profecia.
2.7.5 - O dom de profecia está sujeito ao profeta:
No momento da entrega da profecia, o profeta deve estar no controle de suas emoções e ação, pois segundo Paulo a pessoa que profetiza tem o controle sobre o exercício do dom de profecia, em 1Co 14:29-33, fica evidente que o exercício do dom profético não é uma experiência extática, isto é, não afeta o controle mental e racional da pessoa enquanto pronuncia a mensagem, a pessoa tem domínio sobre sua fala, sua entonação de voz, e sobre as palavras que escolhe para pronunciar a revelação recebida.
O padrão exigido por Paulo na prática deste dom difere muito do padrão dos profetas das seitas greco-romanas que segundo Grudem (2004), ficavam com seus sentidos alterados e eram “possuídos” pelos espíritos dos oráculos que os utilizavam para canalizar as mensagens proféticas de adivinhação, isto é, não tinham controle sobre o que faziam enquanto profetizavam.
Outra recomendação relacionada ao controle do profeta sobre o uso dom está relacionada com as palavras empregas para repassar o relato da revelação, em nenhum momento no Novo Testamento, observa-se o padrão verotestamentários de pronunciação profética, que utiliza declaração na primeira pessoa, dando a entender que quem está falando é o próprio Deus ou o termo “Assim diz o Senhor”. Bickle (2003) incentiva que a profecia seja compartilha de uma forma simples e natural, sem uso de expressões padronizadas, sem sotaques, alteração da voz, sem movimentos corporais repetitivos e frenéticos, deve-se apenas relatar o que pessoa, viu, ouviu, sentiu ou experimentou durante o momento em que Deus falava com a pessoa.
2.7.6 - O dom de profecia varia em força, intensidade e precisão:
Conforme uma pessoa utiliza e exercita o dom de profecia, ela pode desenvolver um maior grau de experiência, exatidão e força na sua ministração, Chown (2002) o dom pode variar em força e intensidade conforme Grudem (2010) baseado no texto de Rm 12:6 que declara “se é profecia, seja segundo a medida da fé”, Grudem entende que este texto demonstra uma variação no exercício do dom de profecia que será mais ou menos intenso segundo a medida de fé que a pessoa possuiu. Portanto o profeta deve falar de modo proporcional à confiança e certeza que possui uma palavra que provém verdadeiramente da parte de Deus.
A prática de qualquer habilidade ou atividade produz familiaridade, segurança e experiência e com o uso dos dons espirituais, não é diferente, quanto mais uma pessoa se coloca a disposição do Espírito Santo para ser usado com os dons espirituais, mas ela vai aprender a usar seus dons e mais edificar ela será na edificação do corpo de Cristo.
2.7.7 - O dom de profecia não é um instrumento para adivinhações e orientações pessoais:
Os cristãos não devem criar uma dependência do dom de profecia ou de profetas para tomar decisões diárias e rotineiras da vida, o objetivo deste dom não servir de amuleto para consultas rápidas de quais são as melhores decisões a serem tomadas, Goll (2004). Deus dotou cada cristão com sabedoria e com a presença do Espírito Santo que ajuda a cada um a discernir o que deve ser feito conforme a vontade de Deus, o cristão deve usar o seu intelecto para estudar, examinar e averiguar os ensinamento das Escrituras e com base nelas conduzir sua vida. A liderança da igreja também nunca deve apelar para o uso não autorizado de falsas profecias para induzir pessoas da igreja a concordarem com suas ideias e projetos.
2.8 - Possíveis perigos na utilização do de profecia
Com o exercício prolongado do dom de profecia, as pessoas podem acabar sendo denominados de profetas, e com isso seus corações tornam-se mais propensos a brechas no caráter para o orgulho e a soberba espiritual, fazendo com que muitas destas pessoas, passem a demonstrar certo sentimento de superioridade em relação a outros cristãos que possuem dons espirituais de menor demonstração pública, Iverson (1976).
Também pode ocorrer a hiper-valorização das experiências subjetivas em detrimento da objetividade do ensino bíblico e consistente das Escrituras, problema este, que deve ser corrigido pela liderança pastoral da igreja para que não se crie uma cultura mística na comunidade, Wagner (2004).
Por fim, conforme Hill (1979), outros perigos relacionam-se à tentação de rebeldia e insubmissão perante as lideranças locais, que muitas vezes por não compreenderem a manifestações do ministério profético acabam marginalizando muitas pessoas que afirmam vivenciar experiências recepção de mensagens divinas por outros meios além da leitura sistemática da bíblia.
3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a análise dos textos bíblicos do Novo Testamento, que abordam o ensino sobre o dom de profecia e as suas demonstrações práticas, e após a verificação das considerações e interpretações dos argumentos e pensamentos de diversos autores especialistas no estudo da pneumatologia, exegese e línguas originais do Novo Testamento, o presente artigo conclui que o exercício do dom de profecia na igreja local do Novo Testamento era um instrumento vital para edificação da comunidade cristã primitiva, tornando a vivencia espiritual dos cristãos mais intensa na percepção da proximidade e cuidado divino para com as questões pessoais e individuais de cada pessoa, as quais muitas vezes eram abordadas em mensagens proféticas que visavam o seu encorajamento e fortalecimento na fé.
As orientações de regulamentação do dom de profecia no Novo Testamento apresentadas neste artigo, podem contribuir para que muitas igrejas na atualidade repensem as suas práticas no uso do dom de profecia, sejam elas igrejas carismática, pentecostais ou tradicionais e que com isso passem a permitir o exercício de tal se ainda não o fazem ou para corrigir quaisquer divergências nas suas práticas em relação aos ensinos paulinos sobre este assunto específico.
Para que os objetivos divinos de amadurecimento e aperfeiçoamento dos santos sejam alcançados conforme Efésio 4:11-14 o emprego de todos os dons são necessário pois eles foram disponibilizados pelo próprio Senhor Jesus a sua Igreja:
11 Foi ele quem “deu dons às pessoas”. Ele escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja. 12 Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo. 13 Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo. 14 Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas.
Pode-se negligenciar ou ignorar completamente a prática do dom de profecia no meio da igreja sem que haja quaisquer prejuízos ao desenvolvimento da fé dos cristãos? Será que uma igreja que por livre e espontânea vontade, e de forma deliberada, que decide não ensinar e incentivar o uso do dom de profecia está em concordância com os ensinos bíblicos e com expectativa de Deus para a sua Igreja? Não segundo o apóstolo Paulo, que ensinou aos seus discípulos, que valorizassem a busca e a prática deste dom: “Sigam o caminho do amor e busquem com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia” 1Co 14:1. “Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar” 1Co 14:39. “quem profetiza, edifica a igreja” 1 Co 14:4. Se na visão de Paulo, era necessário que a problemática igreja de Corinto, buscasse e desenvolvesse o dom de profecia em sua comunidade, para amadurecimento e edificação, não seria também proveitoso que as igrejas contemporâneas também procurassem obedecer a estes conselhos?
Espero que o breve artigo possa ter despertado entre os seus leitores, o interesse em conhecer melhor a fundamentação bíblica e teórica sobre o tema dos dons espirituais, principalmente os que estão ligados ao ministério profético da igreja neotestamentária. Como a literatura sobre o assunto é muito extensa, recomendo que estudos futuros possam aprofundar as questões relacionadas ao desenvolvimento da utilização do dom de profecia, especialmente ao que se refere na recepção das mensagens proféticas e em como ensinar as pessoas a perceberem e a prestarem mais atenção na linguagem de comunicação do Espírito Santo com os cristãos.
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[i] Graduando do Curso de Bacharelado em Teologia na modalidade CEAD, pela Universidade da Grande Dourados – UNIGRAN. Dourados - MS
